quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fim de Caso

Querido Blog:
Olha que bonitinha esta ilustração que recolhe de http://www.somewhere.paints/. Ela dizia algo, via Google-Images, sobre o fim- do- mundo, o fim de tudo, algum desses fins sobre os quais se esbraveja todo fim-de-ano. Por razões que a razão desconhece, tudo isto evocou-me Avalovara, a ave não bem entendida por mim que deu título ao amado livro de -claro- mesmo título autorizado (id est, de autoria) por Osman Lins. Uma boa leitura de férias, ou de ano civil de 2009 inteirinho, que merece lidas e relidas. De minha parte, ainda estou selecionando um curso de leituras para fazer, digamos, entre o outono e meados da primavera. Talvez leia os realistas franceses. Talvez leia os americanos da Era do Jazz. Talvez leia apenas os sete volumes de "Em Busca do Tempo Perdido".

O fato é duplo (já indaguei, se é duplo, então podemos chamá-lo de fato ou de fatos?):
.a. o tempo passa
.b. há fim de tudo, inclusive dos tempos, de casos e do que mais seja.

Para ilustrar que

Tudo passa na vida, tudo passa
na ilusão etérea de um segundo.
Quantos pensam galgar a eterninade
quando apenas transitam pelo mundo.

decidi ilustrar com o cogumelo que agora vemos:

Explosivinho, não? Mas não sei dizer se é o assunto de Los Alamos. Parece uma árvore, um brócole, um humanóide. Por fim, que era aquilo no "Almanaque", de Chico Buarque que dizia: dize-me como é que tudo começou. Quem estava ao volante do planeta que o meu continente capotou? O continente latino-americano? E a África, meu, tu acha que aquilo vem sendo conduzido com exação? Os europeu metero a mão e se mandaro. E o Average Orient, ou seja, o Oriente Médio? E a Vila Cruzeiro? E os ladrões que as early as yesterday afanaram uma camioneta brasília no bairro Sarandi?

Que tipo de ladrão é este que está precisando dos recursos depositados numa brasília? Só porque há ladrões na cidade com nome por ela (ladroagem) homenageado? Grandes atrações para o ano-que-vém: o terceiro mandato de Lula, os aumentos dos proventos de deputados e senadores. Críticas do ex-PFL e do Dr. Fernando Henrique (USP) a tudo. Adiamento por mais um ano da implantação do Governo Paralelo por quem de direito. Cura do câncer, quer dizer, de alguns cânceres que estão-se infiltrando no poder judiciário por exigirem -você já adivinhou- justiça!

Gut 2009, era um troço assim? E que caso era este que deu o título à postagem final de 2009?

DdAB

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Grandes Duplas

Querido Blog:
Esta é uma postagem de múltiplos objetivos, que vou taguear apenas como Vida_Pessoal, pois nada do que acontece em minha vida seria impessoal, sob o ponto de vista da fração variável do espaço sideral que meu corpo ocupa desde que vim ao mundo. Ou até antes.

Eu pensara em escrever sobre as grandes duplas da história das idéias planetárias. o primeiro par que me ocorreu é uma dupla de russos que nada mais sei, além dos sobrenomes e, talvez, que foram assassinados durantes os processos de Moscou:
.a. Kamenev-Zinoviev.

Naturalmente, outras duplas menos carimbadas são o preto-e-o-branco, o ebony e o ivory, ou seja, as cordas pretas e brancas do piano, no dizer de Paul McCartney. Neste caso, temos McCartney & Michael Jackson (ou era Stevie Wonder?) ou ainda Lennon & McCartney e suas inesquecíveis "She Loves You" e etc.. Assim:
.b. Lennon & McCartney

E segue a listagem, descambando para o lado da vetusta ciência econômica. Não sei por que falei "vetusta":
.c. Robinson & Chamberlin (a moça da concorrência monopolística e o garoto da concorrência imperfeita)
.d. Keynes-Kalecki
.e. Bain & Sylos-Labini (americano da, segundo Franco Modigliani, teoria do preço limite e seu counterpart italiano)
.f. Sweezy-Hall & Hitch (o americano da rigidiez dos preços nos oligopólios e os inglesinhos do mesmo tema).

Aparentemente, para uma postagem que antecede o novo ano, esta encontrou seu bom tamanho, nada mais restando senão terminá-la antes que ela fique do tamanho de um bonde.
Saudações a 2009.
DdAB

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Natureza Humana

Querido Blog:

Parece-me já ter postado algo que dizia:

.a. o capitalismo acabou há mais de 15 dias
.b. a natureza humana é traço característico do passar do tempo, ou vice-versa.

Ainda assim, achei conveniente voltar ao tema, a fim de deixar claro que devemos entender por natureza humana só e apenas:

.a. desenvolvimento da linguagem com gramática, prosódia e ortoepia
.b. tabu do incesto
.c. food sharing.

Seja como for, o passar-do-tempo é traço característico não apenas do intelecto humano mas também do lindo quadro de Salvador Dali que vem de lá agora é dali. (rs rs rs, era isto?)

Ou não era isto?

DdAB

domingo, 28 de dezembro de 2008

Fraquelli na BAND: demografia & economia

Caro Mr. Blogger Man:
Atrasado, eu, li no blog de meu amado orientador Antonio Carlos Fraquelli uma entrevista dada há um mês (dia 28/nov/2008, sexta-feira) ao “Panorama Bandeirantes”. Juntamente com dois outros convidados, ele falou sobre o estudo Projeção da População do Brasil (1980-2050) feito pelo IBGE. Sem preocupações de reconhecer fontes ou mesmo de plágio (conceito -por definição- aqui inadequado), vou enumerar algumas cifras que ele próprio -Fraquelli- selecionou como enumeráveis. Mas farei comentários que -você sabe- soam como sendo somente meus...

Em 1950, havia 50 milhões de habitantes no Brasil, inclusive Fraquelli e myself. Para 2010, a população prevêem-se cerca de 190 milhões, inclusive -estamos contando com isto- Fraquelli e myself. Daqui, diferentemente do curso de argumentação de Fraquelli, tiro três lições de aritmética:
:: crescimento absoluto: 190 - 50 = 140
:: crescimento percentual: 280%
:: número relativo de base unitária (fator de crescimento: 190/50): 3,8.

Esta cifra de 3,8 vezes de multiplicação populacional contrasta com a multiplicação do PIB por 15, ou seja, entre 1950 e 2010, a população crescerá quase quatro vezes e o PIB eleva-se um pouco mais do que 15 vezes. Ergo a renda per capita cresceu quase quatro vezes (i.e., 15,.../3,8). Ou seja, se eu sou o brasileiro médio neto de um brasileiro médio, tenho um padrão de vida quatro vezes maior do que o que meu avô desfrutava quando nasci.

Ainda assim, concluo em coro com o Prof. Humberto Gessinger, ou melhor, seu filho, quando diz que: “Não quero deixar para meu filho a pampa pobre que herdei de meu pai.” Não que o fato de ter mais pontes de safena e dentes, diferentemente de meu avô, que teria morrido sem safenas e sem dentes, faça-me mais feliz. Nem mesmo que ter o PIB per capita oito vezes menor do que o americano me agrade. Mas foi melhor crescer quatro do que padecer da sina de alguns latinoamericanos ou africanos.

Não vemos limite, Fraquelli, Gessinger e myself, para o crescimento do PIB, ao passo que o IBGE encarregou-se de dar um cobro à explosão demográfica, pois prevê o máximo populacional de 240 milhões para 2040 e estabilização em 215 milhões 10 anos depois. Se eu viver os cerca de 100 anos que prevejo, estarei dando uma contribuição modesta para esta redução de 25 milhões...

Definindo a população economicamente ativa como a maior de 14 e menor de 65 anos de idade, esta faixa abarcará dois terços do total populacional em 2050. Naturalmente, digo eu, esta faixa de atividade econômica está largamente superestimada, pois é inconcebível que crianças de 16 anos de idade ingressem no mercado de trabalho, mesmo que na criminosa prática de “estágio”, ou seja, furta-se o mercado de trabalho e furta-se a sala de aula e furta-se o crescimento da produtividade do trabalho. Para a Organização Internacional do Trabalho, adulto tem entre 24 e 65 anos. Isto significa que a PEA deverá abranger, no máximo, esta faixa.

Mas a Editora GangeS e outras instâncias civis da vida societária vão lançar uma campanha, em 2040, declarando economicamente ativos apenas os indivíduos entre 30 e 35 anos de idade. Os demais serão forçados a:
.a. fazer ginástica três horas por dia
.b. estudar três horas por dia
.c. prestara trabalho comunitário três horas por dia.
E proibidos, sob pena de morte, de trabalharem um segundo sequer. Precisaremos, claro, definir “ginástica forçada”, “estudos forçados” e “trabalhos forçados”, bem como “pena de morte” e “trabalho”. Como combinar aplicação da pena de morte com sua proscrição? Isto é fácil: quem não entende direito será condenado a prestar mais atenção nas horas de estudo, mas também nas de ginástica e nas de trabalho comunitário.

Parece evidente que a Editora GangeS também estará deflagrando, a partir de amanhã, uma nova campanha para a mudança radical das regras distributivas que hoje cerceiam o futuro do país. Com bilhões de habitantes jogados à lama ativa (políticos) ou passiva (eleitores), ao assalto ativo (políticos) ou passivo (eleitores), ao analfabetismo ativo (políticos) e passivo (eleitores), e assim por diante, é natural que não podemos mais viver sem:
.a. banco central mundial
.b. imposto de tobin
.c. brigada ambiental mundial,
ou seja, fim do estado nacional e proclamação da renda básica universal.

Ou seja, se vemos crescimento tíbio no PIB do Brasil da primeira década do século é porque a própria distribuição (não suficientemente festejada, ainda que modesta) não foi mais orgulhosa e, como tal, catalisadora do consenso nacional. Claro que todos queremos mais crescimento. O que a Editora GangeS sustenta é que este não vai ocorrer, a menos que o Serviço Municipal seja implantado. Como sabemos, redistribuição significa emprego para professorinha cuidar de netinho de menininho de rua, ou seja, mais PIB no setor educação (crédito de geração), mais DIB na instituição Governo (débito de absorção) e mais RIB na instituição Famílias (crédito de apropriação).

Se bem lembro de ter lido em Elsewhere (opus citatum), a Nigéria terá o quarto maior contingente populacional mundial. Duvido que Fraquelli citasse este tipo de fonte. Duvido mesmo que compartilhe da visão que expresso em continuação. Os Estados Unidos manter-se-ão em terceiro, o que permite-nos pensar que a festejada perda da hegemonia mundial é wishful thinking dos rapazes contrários à globalização. A Federação Galáctica é prova da liderança americana e não de sua destruição. Finanças, finanças, meu chapa, esta é a palavra que define quem manda, pois compra a máquina de fazer guerra e vende seguros, seguros e seguros. No capitalismo, tudo vira mercadoria, inclusive Madonna e os políticos, ou melhor, a publicidade que se faz com a imagem de Madonna e a honra dos políticos, pois eles não se deixam vender, como o atesta o Dr. Inocêncio de Oliveira, que apenas compra escravos e nunca se vende nesse mercado, digamos, negro. Felizmente, no Brasil não há racismo, o que implica que os escravos do Dr. Inocêncio não são selecionados pela cor da pele, mas -penso- pelo grau de educação formal dos pais.

Concluo com citação verbatim de Antonio Carlos Fraquelli:
Além das estatísticas, os cometários do programa da Band AM trataram dos serviços — educação, saúde e segurança — que a esfera pública deverá suprir à população até meados deste século.
Anuí, lógico!
DdAB

sábado, 27 de dezembro de 2008

Infinitos, com e sem caos

My sweet Blog:
Verás que andei pensando e falando sobre teoria do caos determinístico. Mas esta imagem é editada de sei lá que equação, mas já a conhecia, se não à equação, pelo menos a uma figura assemelhada: um padrão que se repete infinitamente para o grande e para o pequeno. Seja como for, decidi postar o que segue, Borgeanas, claro.

Como sabemos, estou lendo o volume I das obras completas de JLB. Como sabemos, JLB é Jorge Luiz Borges, o escritor argentino (ensaísta e ficcionista). Como sabemos, claro que sabemos tudo isto. Dentro do volume I, há vários voluminhos, como é fácil de depreender, pois as obras completas recoletam obras incompletas, quer dizer, obras completadas em tempos diferentes, de extensões diversas e reunidas para a completude da obra, um troço destes.

Há dias, ficou provado que fiquei muito emocionado com o conto 'Hombre de la Esquina Rosada", que é do livro "História Universal da Infâmia". Agora, estou lendo coisas de "História da Eternidade". Do "Hombre de la Esquina Rosada" fica minha homenagem para SVB, que decifrou a expressão "litoraneo" do livro de histórias de tangos (que terá inspirado, como a posteridade conjeturará, o próprio nome de nosso show). Ou seja, o Litorâneo que disse: “Mui bien, Rosendo” e que ouviu “Se lo dedico, señor”, ao que a Sra. Maria Abispada teria dito: “Lo vas a llamar de ‘Entrerriano’”, homegeando seu cliente e enquadrando Rosendo-Compositor como seu serviçal, o.s.l.t..

Do Rosendo da Esquina Rosada ainda não tenho conformação para a hipótese de que "esquina rosada" quereria dizer apenas "cara/face envergonhada". Agora que já sei onde estão os dicionários de espanhol, lunfardo etc., preciso investigar que diabos é "esquina". Meu dicionarinho não vai além do convencional: "espacio del universo donde se cruçam 2 ruas". Ok, o portunhol não me deixou ir muito longe... Mas o melhor amigo do homem é que não está para brincadeiras.

E hoje? A bola da vez foi o texto "La doctrina de los ciclos", que é o quarto ensaio do livro de 1936, do volume 1 das Obras Completas. Borges estava embebido (melhor o significado em inglês) com idéias quânticas e mesmo da nova Matemática que emergia por aquela época e umas décadas anteriores. Borges cita George Cantor, a física einsteniana e Bertrand Russell. Como sabemos, o grande pacifista britânico foi um dos defensores do bombardeamento preventivo da União Soviética, antes que essa entrasse na era nuclear e uma guerra destruísse o planeta e, principalmente, o carrefour da Russell Square, sei lá. Talvez ele nada haja dito e a Russel Square com seu afamado museu nem o preocupasse...

Li em outra fonte (creio que Roger Penrose) que Cantor é um dos pais da matemática-lógica de hoje em dia. E que ele entendeu algo extraordinário sobre números e, como disse a também matemática (acumula quilos) Sra. Mercedes Sosa, sobre el cerebro humano.

Exemplifico com o que se leria em Borges:
al 1 corresponde el 2
al 3 corresponde el 4
al 5 corresponde el 6, etcétera.
E, pulando um passo:
al 1 corresponde el 3018 (ou seja, um número escolhido a seu/borgeano bel prazer)
al 2 corresponde el 3018^2, el 9.108.324
al 3, etcétera.
E, menos literal: entre o 0 e o 1, há o 1/2,
mas entre o 1/2 e o 1, há o 51/100,
entre o 51/100 e o 1 há o 101/200, etcétera, de sorte que estamos cada vez mais perto de 1, mas cada vez fica mais claro que não o alcançaremos nunca.

Passo à conclusão intermediária. Se, entre 1 e 100, há 100 números naturais, entre 1 e 2 haverá também 100 números decimais da forma 1,01, 1,02, ..., 1,99 e 2,00. Mas haverá uma quantidade maior de números, caso desejemos preencher o espaço entre 1 e 2 com cifras do porte de 1,001, 1,002, 1,003, ... 1,01, ... 1,1, 1,2 etc.. Isto estará significando que, se é que era Penrose mesmo, se é que era eu mesmo, se é que entendi Penrose corretamente, se é que Cantor disse isto mesmo etc.. haverá infinitos tamanhos de infinito. A distância entre dois números naturais é zero, mas haverá mais números reais do que, por exemplo, naturais ou racionais. Claro, pois -entre 1 e 2 há dois naturais, mas 10 racionais decimalizados (os 1,1, 1,2 etc.), bilhões de números como 1,0000000009, e assim por diante.

Este último contexto, ele -Borges- já usara para falar -creio que já falei- de Aquiles e da Tartaruga. Se bem lembro agora, aprendi apenas há dias com ele -Borges- que o sofisma (Achyles não alcançar a tartaruga que ganhou 10 metros de vantagem na partida) localiza-se na indução a que somos levados pelo contexto de confundir a expansão infinita de um número, sem alcançar jamais um maior do que ele, com a divisão do espaço territorial. Naturalmente, isto implica que devemos apoiar o Projeto Pontal, também objeto de postagem antiga, não é isto?

Volto ao Borges da "História da Eternidade". Dizia, ou pensava dizer, que o primeiro ensaio realmente interessante é "La Doctrina de los Ciclos". Mais importante, ela evoca o que andei falando sobre "fases", expressão que expressa a passagem do tempo sobre qualquer fenômeno contingente, como a duração de uma dentadura ou mesmo de um sorriso. Neste caso, podemos concluir que o show que ora organizo com SVB terá passado por algumas fases bem distintas, todas indistinguíveis do todo-show propriamente.

Entendo que Borges está discutindo o conceito de "eterno retorno" nietzschieano. Diz que Nietzsche não teria dado créditos a milhares de outros que o teriam precedido nesta sacada (parece que B. também jogava squash com seu colega A., Berni+Adalmir? Bah!). Entre os milhares, cita Platão e o "ano platônico". Depois, Lucilio Vanini em 1616, Thomas Browne, em 1643, Le Bon (parece ser um físico, de quem guardo apagada memória, mas não vou checar), e (Louis) Blanqui (o socialista francês, 'el comunista', como diz o direitista argentino). Faz Blanqui rimar com Demócrito, avança para David Hume, vai a Bertrand Russell. Já me cansei de olhar novamente, mas tenho sublinhados em Braham, Hesíodo,Heráclito, Crisipo, Virgili, Shelley, Fransis Bacon e Uspenski, Gerlad Heard, Spengler, e Poe, e Marco Aurelio. Isto até a p.394, onde parei e faltam-me a 395 e quatro linhas na 396 para encerrar a leitura. E eu já vou citando Milan Kundera, de quem gosto, especialmente de um livro de ensaios que comprei numa livraria de alguma cidade de algum planeta, talvez a Terra, talvez Porto Alegre, mas não me sensibilizo nem -menos ainda- responsabilizo.

Ou seja, estes dois ensaios são espantosamente coerentes com a época e a fase do desenvolvimento intelectual de Borges. Já falei que defendi minha tese doutoral com 47 anos, a idade que o século tinha quando eu nasci. E agora vejo que comecei a ler um autor que escreveu quando o século tinha a idade que eu tinha quando comecei a preocupar-me com este tipo de coisa. AAMN e OMFL (como já referi num papelzinho que deixei escondido numa carteira da Sala 413 do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, quando prestei concurso para fiscal de adesão do município à sociedade justa) tiveram papel fundamental, mas outros também (RM e BRZdA, por exemplo). Trata-se dos anos 1983-85, algo assim. Minhas leituras foram, creio, Umberto Eco (Viagem na Irrealidade Cotidiana), Ernest Jones (Freud, uma hagiografia...) e outros milhares cujo nome foge-me comme le mêmme desmame (que o inferno não me inflame, pois esta foi infame...).

A conclusão final e inarredável é que é bom parar por aqui.
DdAB

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Father Christmas

Querido Blog:
Se puso conmovido el autor. Era isto que teria dito Quino en Mafalda? E que Papai Noel é este? Que Muro é este? Acho que é o justiceiro igualitarista. Acho que é o Muro de Berlim. Acho que é o Natal de 2006, quando lá quase passei, pois não passei. E que símbolos haverá nesta figura que campeei da Internet?
DdAB

Tradici�n Cl�sica: Don't know much about history

Tradici�n Cl�sica: Don't know much about history

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ex-PFL Contra Pulgas das Rugas de Dilma

Dear Mr. Blogger Man:
Não sei de onde veio esta ilustração do disco d'Os Titãs, em 1984, ou 3, ou 2, ou 5 ou 6 sei lá o dígito, a década, a galáxia. O fato concreto e insofismável é que ele -disco- fala em "pulgas que habitam minhas rugas". Foi nisto que pensei ao saber que o jornalista de afamado blog intitulado Roberto (era Ricardo?) Noblat informou a seus leitores que a Ministra Dilma Rousseff operou-se de umas rugas que a habitavam há alguns anos na santa cidade de Porto Alegre. A ministra, como sabemos, teve sua casa invadida por uma escola de samba, no tempo em que o Econ. Miguel Bodea por cá circulava, induzida -a escola- por ele -Miguel. O Noblat, de quem eu já ouvira falar, chegou a meu conhecimento -a notícia, digo- por meio do jornal que insisto em chamar de Zero Herra. Quanto tempo ela deverá comportar-se antes que eu lhe retire o afetivo epíteto? Vejamos o parágrafo 3 desta postagem natalina.
Parágrafo 2. Esta postagem receberá o marcador de "Economia Política", pois pensei que o título "Ex-PFL etc." poderia ser de algum proveito para o próprio jornal. De fato, antevejo que o Ex-PFL, assim chamado pela divertida revista semanal "Carta Capital", reclamará na próxima sessão do Congresso Nacional (ambas as súcias, digo, casas, câmara alta e câmara baixa), vai interpor um mandato de segurança, um troço destes, requerendo explicações: quantas pulgas havia, será que elas -operações- serão pagas com o dinheiro público, por que Dilma escolheu Porto Alegre e não Salvador da Bahia etc.. O ex-PFL é um partido tradicional de direita, um deus-nos-acuda irresponsável defensor de oligarquias de todos os quilates, com ladrões de quilos e quilates do que quer que seja que tenha valor de mercado.
Parágrafo 2bis. Faz-se acompanhar este inteligente partido de todos os outros que hoje em dia grassam na mesa do brasileiro, ou melhor, quero dizer, você está entendendo onde quero chegar, não é mesmo? Seja como for, aparentemente esta dupla PSDB-ex-PFL é da pesada, hoje em dia menos do que ayer, pois não está no poder. Aliás está no poder do Rio Grande do Sul, este clube da baixaria institucional, que desprezou meu conselho dado ao Secretário Aod Júnior: crie 1.000.000 de empregos na Brigada Militar e você nunca mais perderá eleições. Ele (quem?) replicou: o ex-PFL taria afim de gerar empregos mesmo apenas para a família Borhnaushenh e a família do Estreito Magalhães.
Para concluir, falando em inconseqüência e irresponsabilidade das elites, e da revisão de originais de Zero Herra, devemos falar em sua p.19 do jornal do dia 22 de dezembro, uma segunda-feira. Como não me chamo Noblat, não me sinto comprometido a dar notícias no momento em que elas ocorrem. Ainda assim, faço-o até uns dias antes (como é o caso da antecipação das ações que imagino serão tomadas pelo ex-PFL à propos o caso Pulgas da Titã Dilma). No artigo "A História Poderia Ser Outra", o senador Paulo Brossard de Souza Pinto, ou o que resta dele, ou aquilo em que ele se transformou, paladino da direita, falou uns troços sobre Rui Cirne Lima, o Ato Institucional número 5, de Costa e Silva (o tio da Maria Imilda, as far as I know) e outros. Penso que o grande problema que Brossard enfrentou em sua vida pública foi o de não ter sido eleito presidente da república, diretor da ONU ou mesmo o primeiro capitão-tenente da Federação Galáctica. Qual a probabilidade de ele, num desses cargos que cito, criar
.a. o banco central universal
.b. a taxa tobin universal
.c. a brigada ambiental universal?
Seja como for, o que ele disse foi: "Perca-se a honra, mas não se perca o botim." Zero Herra não revisou os proventos, digo, os textos do jurista? Sabe-se lá o que se passou. Botim, diz o dicionário: [De bota1 + -im.]S. m. 1. Bota1 (1) de cano curto, o qual termina logo após o tornozelo. E manda ver: butim: S. m. 1. Despojo do inimigo, de que o vencedor se apropria; saque, pilhagem. 2. O produto de um saque, de um roubo: "Como fortuna de jogo ou do narcotráfico, como butim ou herança eventual, aquele é um tipo de dinheiro que pede para ser esbanjado." (Chico Buarque, Benjamim, p. 92.) 3. Produto de caçada. 4. Pop. Proveito, lucro.
Ou seja, ainda se escreverá uma novela que rolará assim: um sargento-tenente da Federação Galáctica foge do regaço da amada esquecendo o colete e os botins. Seu pai pilha, a Rádio Farropilha empilha, o tenista saca e o Banco Central, como sabemos, compensa o saque, uma vez que exerce papel de banco dos bancos, botim dos botins e, finalmente, butim dos abotinados, os soldados a soldo de Costa e Silva, Ildo Meneghetti e, claro, seu secretariado. É Natal!
DdAB

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Acaso, contingência & necessidade

Querido Diário:
Falta-me critério para postar em "Escritos", digo, escrevo coloquial, ou digo "Querido Sr. Diário"? Será acaso que eu pense hoje nisto, para iniciar? Tudo por contraste à "Vida Pessoal", quando viria bem um "querido" destes prá cá e outro prá lá e ambos para o mesmo lado, o de cá e o de lá, um de cada vez. Havia algo fascinante sobre o "onde digo digo digo desdigo". Postar-lhe-ei detalhes in due time, pois os anglicismos prosperarão na nau da mequetrefe Federação Galáctica.

Ou melhor, que poste com este começo o que deliberei sobre acaso e necessidade. Sobre contingência e necessidade. Agora obrigo-me também a refletir sobre a relação entre contingência e acaso. Rege meu pensamento sobre muitas destas questões o palpitante livro "[...]; a fascinante história do risco", de Peter Bernstein. Se meu marcador fosse "Economia Política", seria necessário, creio, avançar sobre a relação entre mercado financeiro, seguros e renda básica. Como o marcador é apenas "Escritos", faço menção contingente sobre esta questão.

Contingência: o que tenho tentado sugerir, em minhas reflexões sobre a sociedade igualitária é que a maior justificativa para a instituição da renda básica (à la Eduardo Suplicy) é que "seguro morreu de velho", ou seja, a sociedade precisa dar um tratamento condigno às grandes massas, para que elas pensem que são importantes, ou seja, para que a própria sociedade sinta-se importante ao se tratar bem (o que a fará reciprocar, tratando-se bem, no círculo kaldoriano que diz que sucesso gera sucesso e que fracasso gera fracasso). Ou seja, a renda básica é uma contingência, ao passo que dela decorrem conseqüências muito desejáveis. Haverá muitas maneiras de se gerar a sociedade igualitária, sendo -bem sei- a renda básica apenas uma delas. O que me parece interessante de entendermos nos dias que correm é que
.a. a jornada de trabalho no mercado formal experimentou reduções drásticas ao longo do Século XX
.b. o mercado informal de trabalho contribuiu para a destruição de boa parte das benesses da vida social mesmo nos países capitalistas avançados
.c. não haverá volume de investimento adequado para absorver as populações excedentes (sob o ponto de vista do mercado de trabalho, para não querer que pensem que acho que 'havia gente demais').

Ergo é preciso que a Brigada Ambiental Mundial crie ocupação socialmente desejável, transformando o emprego precário em ocupação necessária (trocadilho...). Nove horas diárias de ocupação necessária farão bem a toda a comunidade. A magnitude das escalas de empreendimentos provocados pelas modernas tecnologias, abundância relativa e descontrole demográfico fazem com que mesmo um indivíduo humano tenha sua importância no conjunto de todos os indivíduos diminuída. Com isto, tratá-lo também como pária da apropriação e absorção do valor adicionado é buscar complicações.

Ok, uma vez que meu marcador é "Escritos", vamos ao assunto direto, deixando o transverso. Bush não tinha necessidade de atacar o Iraque, de ver-se envolvido com o incidente provocado pelo jornalista iraquiano que o quis agredir com o lançamento de um par de sapatos. Eu condeno toda a forma de violência. Ergo condeno Bush e seus patrocinadores. E condeno também o jornalista que não pôde conceber maneira mais eficaz de
.a. combater a ditadura no Iraque durante a maior parte de toda sua vida
.b. contribuir para a pacificação de seu país.
E mais ainda: condeno todos os que se entusiasmam com este tipo de reação individual, achando-a necessária. Eu penso que se trata apenas da afirmação de momentos contingentes na história humana. Sou pela paz! Sou pela paz!
Para mim, o jornalista é tão incapaz quanto o próprio Bush de distinguir seu papel na história e buscar um significado para sua vida.

Pois bem, Bush não é um ás no tema 'estratégia', nem mesmo um asno meio político. Ele também tem suas contingências, dada a necessidade que os EUA têm de expressar-se como detentores da hegemonia da transição humana para a Federação Galáctica, sepultando o estado nacional. Transitarmos sob a égide americana eriça os conservadores tanto quanto qualquer outro tipo de trânsito. E digo agora 'conservadores', no sentido de pessoas que buscam ideologia de esquerda para abrigar um enorme sentimento de superioridade moral, um espantoso convencimento da importância de suas próprias posições, um ciclópico par de viseiras maniqueístas. Eles e nós, quero dizer, eles -os conservadores- e nós -os intolerantes- ou vice-versa. Ao defender a sociedade igualitária sempre deixo claro que ela pode ser o caminho mais fácil para algumas transições importantes que serão feitas pela humanidade. Esta que conhecemos e que parece ter (não diria natureza) desejos de expandir significativamente seu nível de absorção (consumo) de bens materiais. Ou seja, consumir dádivas da natureza, como um grão de trigo ou uma ponte de safena no coração, coadjuvados em seu processo produtivo por um trator ou um bisturi eletrônico.

E baralhos são necessários? Claro que apenas para o ambiente fascinante mas contingente de um jogo de pôquer. E se eu furto o baralho de meu irmão e sou flagrado com ele nos bancos do Jardim da Infância do Grupo Escolar Inácio Montanha? Eu diria que o 'flagra' é contingente, mas também o furto o fora. Todavia o teorema de Bayes deixa claro que, uma vez furtado o baralho da caixa de 'belongins' de minha irmã, digamos, a probabilidade de que o acaso seja flagrado se transforme em necessidade de ações diversas expande-se como a propagação de ar provocada por uma das bombas que o Mr. Bush mandou (foi ele mesmo? não era Colin Powell, Carter, Roosevelt, o rapaz da bomba atômica?) despachar sobre o Código de Hamurabi.

É Natal, é Natal, em poucos séculos, vamos para a aldeia global! Como o teorema de Bayes pode forçar-nos a concluir, uma vez iniciado o processo de troca de bens materiais, as finanças tornar-se-iam inevitáveis dentro de poucos séculos, o fim do estado nacional também e, naturalmente, o que ainda não vimos mas que não tarda, a Federação Galáctica. Ok, se tu acha que eu did't deliver what i promised, post your complain to our supervisor, entendeu?

Saudações amanuenses e minudentes, if you know what i mean.
DdAB

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Troca e Natureza Humana: ainda Marx, Meirelles e Tiburi


Caro Sr. Blogger:
Seguindo com o exame do artigo de 13/jan/2008, digo, 20/jan/2008 sobre o qual postei alongados comentários há poucas horas, mas oficialmente no dia anterior ao que antecede o que antecede o amanhã, artigo – é bom lembrar – de autoria de Marcia Tiburi, prossigo.

Então estamos dizendo que as mercadorias poderão ter valor nulo se não mais houver mãos humanas envolvidas em sua produção? Claro que estamos. Uma vez que A implica B, então 'ela disse-me assim':
:: se "A [...] então B [...]" dá "B e A, isto é, Bah",
não é? Então estamos dizendo que os bens e serviços deixarão de ter valor de uso? Claro que não! Na sociedade que vencer a barreira da escassez, ou que montar um arranjo institucional adequado, ou seja, na sociedade da abundância, o neguinho vai caçar de manhã, pescar de tarde e criticar de noite.

No site http://www.espacoacademico.com.br/024/24jsf.htm, encontrei o que diz o Prof. João dos Santos Filho sobre o uso do tempo de vida humano e suas consequências sobre –em minhas palavras– a formação da “curva retorcida de oferta de trabalho”:

“Uma das passagens mais brilhantes [... d’A Ideologia Alemã] se localiza no momento quando, ao abordar a sociedade comunista, [Marx] comenta da necessária liberdade de escolha pelas atividades de trabalho e atividades de lazer: ‘Na sociedade comunista, onde cada indivíduo pode aperfeiçoar-se no campo que lhe aprouver, não tendo por isso uma esfera de atividade exclusiva, é a [própria] sociedade que regula a produção geral e me possibilita fazer hoje uma coisa, amanhã outra, caçar de manhã, pescar à tarde, pastorear à noite, fazer crítica depois da refeição, e tudo isto a meu bel-prazer, sem por isso me tornar exclusivamente caçador, pescador ou crítico’ Marx, 1976: 41).” [grifo de DdAB].

Parece-me que Karl Henrich estava pensando nos ricos de hoje em dia, que devotam seu tempo (cabeça, tronco e membros) à arte e ao esporte. A este respeito, o Sr. Jumento d’Os Saltimbancos, aditou: “[...] nunca trabalhava, então achava a vida linda [...].” Será que não vai chegar o dia em que todos os nossos netos vão decicar-se apenas à crítica, ao esporte e à arte? Seguirá havendo troca? O que mudará vai ser a própria natureza humana. Não que o homem passe a ser muié ou jumento, e vice-versa, mas que:

.a. aquilo que entendemos por capitalismo terá acabado
.b. aquilo que entemos por naturez humana também terá acabado ou estará datado para acabar.

Com o fim do capitalismo e o fim da natureza humana como a conhecemos hoje, Mr. Marx, Marcel Mauss and me myself dar-nos-emos por satisfeitos em nossas explicações sobre a troca, o donativo, a oferta monetária, o valor das mercadorias, e todos os demais componentes do entorno desse contingente enrosco.

Que mais disse a Sra. Tiburi? Que: “[... Madonna, the singer] é pura e explicitamente mercadoria.” Epa, agora temos outro problema: a volta da escravatura, quando indivíduos humanos também, como tudo o mais, viraram mercadoria, como na edificante fazenda do Dr. Inocêncio de Oliveira, ilustre prócer do Governo Brasileiro, S/A. Ainda assim, não me parece que Madonna herself seja mercadoria. No máximo, podemos dizer que o livrinho ‘As Três Ecologias’, de Félix Guattari (Papyrus, 1991), falaria em “produção de signos e subjetividade”. Os signos e a subjetividade também viram mercadoria, naquele mundo dos cassinos financeiros e cassinos de gambling, o que é mais ou menos a mesma coisa. Por isto é que prevejo que a indústria dos seguros ainda salvará o mundo redondo que hoje conhecemos.

O que acho mais interessante é que a Profa. Tiburi permite-me encerrar a postagem de hoje com uma citação muito maneira, por referir-se a Madonna:

“Seu corpo forte e musculoso, capaz de enfrentar toda fraqueza, que promete superar toda morte, é o emblema do poder invejável, o poder que faz qualquer um entregar sua liberdade em nome de um sentido, uma proteção pela adoração da imagem.”

[Mais detalhes sobre a relação entre morte, história e valor das mercadorias seriam encontrados no Bar Restaurante Pedrini, se não tivessem jogado fora as bolachinhas de chopp em que fiz copiosas anotações].
DdAB

domingo, 21 de dezembro de 2008

Teoria do Valor, Márcia Tíburi e o Banco Central

Dear Mr. Blog Man:
Sinto-me um verdadeiro Mr. Dylan ao escrever "mr. blog man", como o "mr. navigator man" que vi recentemente em um filme que não pode ser declarado 100% fascista. Se não pode, eu é que não vou declará-lo! Seja como for, o que posso declarar é que este negócio de cassino financeiro e mão humana dão o que falar e têm tudo a ver com a teoria do valor trabalho dos economistas clássicos e de Karl Heinrich Marx.
Digo isto à propos do instigante artigo de Marcia Tiburi, professora de filosofia da Unisinos, se me bem lembro, e participante do programa Saia Justa da TV. No Caderno Cultura de Zero Herra (já me explico), às p.4-5, você lerá: "O Aluguel dos Nossos Olhos e Ouvidos". Herra? Sim, pois ao dar a data de ontem printada no combativo jornal, vi que eles erraram (CHVH) novamente. Ao invés de falarem em 20/dez/2008, tomaram a liberdade de falar (diferentemente da capa do edificante caderno de Cultura) em 13/dez/2008, sabidamente um sábado, só que não o sábado que teve lugar no Planeta Terra ontem. Ok, vamos aos fatos, ou melhor, à teoria do valor.
Você já sabe, meu amado blog, o que quer dizer teoria, em minha visão? Digo isto para benefício do eventual leitor que não terá eventualmente lido o que escrevi elsewhere. Se a matriz inversa de Leontief (B) rastreia os requisitos de produção diretos e indiretos então posso dizer que a produção x é dada por Bf, onde f é o vetor da demanda final. Neste caso, posso definir o emprego (trabalho) dos n setores da economia como L = mBf, onde m é uma diagonal de coeficientes de emprego por unidade de produção. Neste caso, estou sustenta uma teoria que diz que o valor da mercadoria (dado pelos elementos de L) do setor i é uma função da quantidade de trabalho socialmente necessária à produção do volume x lá desse setor i mesmo. Podemos rastrear nele (i.e., o elemento do vetor L), por meio dos elementos da matriz B, os requisitos diretos e indiretos de trabalho incorporado nas demais mercadorias que integram o sistema produtivo de que estamos falando.
Ok, e que isto tem de filosófico? Marx era mais filósofo o que o Sr. Henrique Meirelles, claro. Meirelles é mais economista do que Marcia Tiburi. Mas vejamos o que diz Tíburi: "[...] artesanato´[... é a] produção em pequena escala que dificilmente envolve mais-valia." É um bom ponto de começo, especialmente para quem quer entender o que é que gera o valor das mercadorias. Disse o filósofo que V = c + v + m, onde V é o valor da mercadoria i, c é a quantidade de capital constante que ele incorpora, v é a quantidade de capital variável e m é a mais-valia gerada quando (e apenas quando) da venda da mercadoria i. Pois bem, sabemos que, para o total da economia, a soma dos valores é igual à soma dos preços. E que apenas em circunstâncias contingentes é que V = P, ou seja, não existe nenhuma obrigação, nenhuma necessidade da parte do sistema de exibir uma indústria i (produtora da mercadoria i) em gerar, em qualquer momento, um valor igual ao preço.
Para quem gosta de notação vetorial extensiva, imaginando duas mercadorias, estou dizendo que não veremos [p1 p2] = [v1 v2]. Como sabemos, p1=1 e p2=1, ou seja, os preços (medidos em unidades monetárias) são normalizados no modelo de Leontief, de sorte que teríamos que apor à igualdade uma equação de normalização também para os valores. Ainda assim, p1 ~= v1, ou seja, pi não é igual a v1. Nem, torna-se mais claro, p2 = v2.
E por que a filósofa Tíburi falou aquele troço que escrevi acima? Creio que é porque ela não estudou com o Prof. André Contri, que me ensinou que o problema da transformação está resolvido precisamente na seção final do capítulo 1 do v. 1 da opos magnum do filósofo de Trier. Ou seja, ensinou O Gringo: quando tu qué falá em produção capitalista, tu te esquece que o Velho fala em valor algumas vezes, pois ele está dando como assentado que os preços já se transformaram em valores e, neste caso, falar em valor ou em preço tem uma equação de correspondência que não dá xabu. Então (esqueçamos, coisa que nem preciso, pois nunca entendi, o que diz Ian Steedman) a soma dos preços é mesmo igual à soma dos valores e tá acabado. Não há mais nada a discutir sobre isto.
E a roleta? Mostra o dinheiro circulando em sua maior desenvoltura: recompensando agentes detentores de diferentes graus de amor-aversão ao risco. Quer ter quase certeza de ganhar? Aposta só nos pares. Quer ganhar montes? Aposta no vermelho 23, por exemplo. Mesmo quem não faz ginástica todo dia pode ganhar 33 vezes (é 33?) o capital empregado.
E o dinheiro? Diz o filósofo de Goiás (Mr. Meirelles) que o valor é regulado pela oferta monetária regulada pelos bancos criadores de moeda. Teoria da regulação? Não. Apenas uma constatação derivada da equação quantitativa da moeda. Não há teoria a respeito. Qual o valor do valor adicionado? Já falei isto, numa bolachinha de chopp do Bar Restaurante Pedrini: Y = MV/P. Se fizermos V/P = 1, então tá na cara que o Mr. Meirelles tem razão e que os deputados da oposição e os da situação são tudo uns bobão ladrão.
Quer estourar as condições de estabilidade macroeconômica do sistema? Então deixa a demanda agregada crescer a uma taxa maior do que a taxa de crescimento do produto potencial, ou seja, da NAIRU, a non-acelerating inflation rate of unemployment (traduzindo: a taxa de inflação que não é aceleradora da infiação).
E as mãos humanas que estão lá no cassino financeiro? Elas não negam que é o trabalho humano que gera o valor, mas tampouco afirmam que a mais-valia é gerada na empresa. A mais-valia, como Marx há mais tempo e eu há instantes sugerimos, só é gerada quando a mercadoria dá seu salto mortal. E ela só dá seu salto mortal quando todas as demais mercadorias também dão os seus. Isto significa que, como ele sugeriu há mais tempo e eu sugiro apenas agora, nenhum trabalhador é explorado individualmente, mas existe uma classe -a capitalista- que explora outra -a classe trabalhadora é que é explorada.
E isto implica necessariamente que deveremos criar um programa de renda básica? Claro que significa! R$ 1.000 por cada suinocultor, digo, por cada indivíduo economicamente ativo tomam 40% do produto interno bruto. Se tudo isto for jogado em consumo, ainda restam 60% para o investimento, o consumo do governo, o saldo das transações correntes e mais consumo das famílias. Tu tá lembrando que eu tenho na cabeça que P=Y=D e que D=C+I+G+(X-M), não é isto?
Se tu não quer me ajudar a criar um novo partido de esquerda, eleger um vereadorzinho, depois outro, depois um prefeitinho etc. (tout dejà vu), fazer coalizões partidárias etc., tomar o poder e implantar o projeto da Brigada Ambiental Mundial é outra coisa, mas o que tu não pode me contrariá é a aritmética: sobraram 60% para o Resto da Despesa. E a Sra. Vanderléia de Tal já me disse que não iria gastar todos os seus R$ 1.000, aplicando R$12,00 mensais em ações do Bank of Boston, pois sempre admirou o estilo administrativo do filósofo que hoje preside o Banco Central do Brasil.
Páro por ora e amanhã sigo falando naquele troço do Marx de caçar de manhã, pescar de tarde e criticar de noite?
DdAB

sábado, 20 de dezembro de 2008

Crise Financeira

Querido Blog, digo, Dear Mr. Blogger Man:
Sigo atarefado, jamais saberemos com o quê. "Os circunflexos estão ameaçados?" - argüir-se-á o leitor diligente. Os tubarões dominaram o planeta, como sugeriria Donaldson Brown há 80 anos? E James Clifton, que disse que a finança dominará o planeta, como aprendeu com Brown. E eu -myself- que também digo isto e que coloquei o texto de Clifton à disposição de todos a partir de hoje no site que assume -assim- sua forma final.
Tenho insistido:
.a. PIB não muito abalado (mas claro que abalado; não cai mais de 5%, confira em 2010)
.b. inflação: haverá elevação do nível geral de preços
.c. emprego: haverá perdas irreversíveis, apenas compensadas -in due time- com a criação de mais empregos precários, ou seja, com produtividade (na geração de bens éticos, ou seja, exclui o crime, a droga ilegal etc.) superior ao segundo tercil (ou seja, acima do terço inferior da economia).
Abraços empresariais
DdAB

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Leonardo & meu site


Querido Blog:

Esta foto é de quem bem sabemos. O que nem todos sabem é que passei a tarde de hoje em sua (dele, Leonardo, o meu Leonardo, não o Leonardo deles) casa. Leonardo, sobrinho dileto, ajudou-me a fazer diversos e importantes aperfeiçoamentos em meu sistema de comunicação pessoal: g-mail, site, blog, google-docs, agenda e por aí vai.

Saudações Natalinas

DdAB

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cachorro a Grito de Vereadores

Querido Mr. Blogger:
Man, você não vai acreditar que toda essa montanha de dinheiro será paga aos cinco mil vereadores que vão tomar posse no ano que vem, uma vez que há um trem da alegria em andamento em Brasília, o ninho de ladrões.
O povo contempla, sobranceiros, seus cachorrões, os rapazes que vão dar de presente a seus acachorrados os cinco mil cargos. Cada cargo tem sete assessores, cada assessor tem mais 49 sub-assessores, cada um destes mais 7x7x7 dependentes, de sorte que -in due time- esta rede constituída por vereadores pode cobrir todo o território nacional. Um vereador deveria ganhar R$ 1.000, ou seja a renda básica universal, abarcando os já conhecidos 50% do PIB.
Ou seja, o problema não é quantos vereadores serão empossados, mas quanto ganha o vereador atual e quanto ganhará o futuro vereador e, principalmente, quanto ganha o eleitor. O vilão é o eleitor, teria dito um pegureiro. O pegureiro é o vilão, teria dito o clube do let's blame the victim.
Postagem tardia, dia cheio, eia, eia!
Bjus
DdAB

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Reforma Política

Querido Mr. Blogger Man:
Postagem de economia política a esta hora? Sim, é que tenho compromisso às 8h00 e, assim, tenho, a partir de agora, 26min para concluir esta postagem que se inicia de maneira burocrática. Sorte que sou bom datilógrafo, graças ao SENAC.
A quem vem a frente dos vereadores contra pegágios?Diz a Zero Hora que a Governadora do Rio Grande do Sul, Senhora Professora Mestre/Vanderbilt Yeda Roratto Crusius desistiu da idéia de prorrogar por mais 15 anos os contratos de pedágio que o estado mantinha com ladrões. Era a aliança espúria entre estado e mercado. Ladrões? Claro: das maiores empresas de elevada margem bruta no RGS (lucro por unidade de faturamento), despontavam as donas dos pedágios. Lucros extraordinários baseados em concessões públicas? Claro. Furto, claro, fortunas espúrias, claro. Roubo de merendas escolares? Claro. Pandilhas!
E os vereadores? A proposta de reforma política brasileira que parece andar bem é outro descalabro de louco-de-dar-nó arrancar os cabelos, que dizer de defensores da sociedade igualitária? Que vereadores têm a ver com esta reforma? A exemplo dos governos militares, que achavam que o processo eleitoral tumultuava a vida civil, agora os ínclitos deputados desejam criar nova coincidência de mandatos. Possivelmente, para não legislarem em causa própria, vão prorrogar os mandatos dos vereadores em mais dois anos, like the military men, my dear Mr. Blogger Man. Vai rolar uma frente contra a prorrogação dos mandatos?
Lula fala em legalizar o aborto (li ontem). Diz ser contra, mas que a sociedade deve discutir. Acho que ele -Lula- vai é aprovar a descriminalização desta pena de morte à menina pobre. Lula já flechou o mercado de trabalho informal com a renda básica. Basta elevá-la para R$ 1.000 mensais, universalizando-a com menos de 40% da renda nacional, como sabemos. É o maior político da história do Brasil. Também se diz -ele, o Lula- contrário à reeleição de presidente da república, de terceiro mandato para si. A reforma política tem de bom que propõe uma mudança constitucional que acabe com a compulsoriedade do voto. Mandato de quatro ou cinco anos? Tema absolutamente irrelevante, se a reforma fosse em favor do parlamentarismo. Ainda assim, há pobremas, lá no dizer da Sra. Marilza Lulla da Sillva.
Resumo:
.a. Chavez quer reeleições infinitas, como Monsieur Fidel de Castrô, Chum-chin-chum (o príncipe da Coréia do Norte, ou a canção de Adoniran Barbosa?
.b. Lula não quer terceiro mandato, mas é a favor do presidencialismo com mandatos de cinco anos
.c. Putin era do presidencialismo, presidente, e passou a primeiro ministro do parlamentarismo, compreende? a Rússia -esse túmulo do século XX e XXI- era presidencialista, com Putin, agora é parlamentarista com Putin. Voltará a ser tzarista com Putin, se for o caso, como Chum-chin-chum e o Golfo de Tonkim, ou sei lá que golfo, que o Brasil não tem estas coisas. Como sabemos, temos apenas baías e sacos.
.d. será que o Brasil poderia ser condenado a parlamentarismo com voto voluntário e orçamento universal? Não: não será condenado, pois rege a vida nacional o seguinte silogismo do modo subjuntivo:
M (premissa maior): todo político é ladrão
m (premissa menor): ora, todo ladrão é político
C (conclusão): logo, todo político e todo ladrão são farinha do mesmo saco, vinho da mesma pipa ou torcedores do mesmo clube de aeromodelismo.
Bye
DdAB

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Basic Income

Caro Sr. Blog:
Esta imagenzinha que acima vemos origina-se de um livro, é a capa dele, uma por cada exemplar. Não sei bem se é um livro apologético ou deletério da sublime instituição de meter a mão no bolso do outro e ter o próprio bolso compartilhado com a mão do outro. Que você acha, Mr. Blogger Man?
De acordo com o modelo completo do fluxo circular da renda (aquele em que o Bloco B33 da matriz de contabilidade social mostra as transferências das instituições entre si), este dinheirinho -cujo saldo contábil é nulo, pois se arranco R$ 1 de teu bolso e tu retiras R$ 1 de minhas calças, e se convertermos dinheiro em números (isomorfismo econômico), então -como 1-1=0- vai gerar mais dinheirinhos e o saldo não será nulo.
Um menino de rua, no outro dia, quando eu passava pela frente do Hospital São Pedro de Porto Alegre, falou-me no que chamou de "teorema do orçamento equilibrado". Disse que, se o mercado de bens responde a aumentos da demanda sem efeitos deletérios da taxa de juros ou do nível geral de preços, podemos afirmar o que ocorrerá. Por exemplo, elevações de R$ 1 no gasto público que sejam compensadas pela elevação nos tributos no valor de R$ 1 causarão elevações na renda no valor de R$ 1. Ou seja, G - T = 0, mas dY = 1. "Ine maravilhe", como ele mesmo expressou-se, totalmente à volonté, para falar francês com quem desse e viesse.
Será que o Prof. Carlos Lessa atualizou-se com relação ao edificante nível que alcançou ao escrever o afamado livro "Introdução à Economia, uma abordagem estruturalista", em co-autoria com o mais circunspecto Antonio Barros de Castro? Será que ele sabe este troço do orçamento equilibrado? Será que ele já ouviu falar no modelo IS-LM? Será que ele já ouviu falar em "renda básica"? Será que ele padece do fetichismo da mercadoria? Será que ele não sabe que valor da produção e valor adicionado não são vinho da mesma pipa, nem farinha do mesmo saco nem mesmo torcedores do mesmo clube de aeromodelismo?
Parece que o Sr. Honorato (ou foi o Sr. Taco?) dizia que "se tu qué aumentá o vebepê, aumenta, sô, só que para fazê-lo tu pode mexer no P-produto, no Y-renda ou no D-despesa." E: "se tu não escolhê a renda, então é porque tu é acolherado com os político". Eu pensei que um troço destes foi o que eu escrevi uns dias atrás num papelzinho que caiu em plena Festa de Igreja lá deles, Jaguari. Então, esse troço de 1-1=1 tá com tudo? Sem variações nos juros e sem variações nos preços, sim, está com tudo, sim! E com variações nos juros e nos preços? Pode dar até menos do que 1, mas também pode dar mais do que 1.
Saudações.
DdAB

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

448 Vereadores e a Desigualdade

Dear Mr. Blogger Man:
Endereçamento formal? Imagem lindíssima? Gutierres? Lindíssima. Ontem não postei o que prometi, não postei nada. Hoje posto o que segue. O que prometi fica comme ci comme ça. o.s.l.t. Em outras palavras, postarei outro dia. De onde veio a belíssima reprodução desse business de "Descubriras que tu cuerpo..."? Pois o achei lá pelas bandas do Google-Images, ao entrar com a palavra "igualitarismo".
E que temos a ver, Rosario, o igualitarismo, eu e os 448 vereadores? Parece óbvia a irresponsabilidade dos políticos de todos os cantos do território nacional, inclusive dos futuros 448 vereadores. Primeiramente, não acabaram de aprovar a Lei do Orçamento de 2009? Sim, acabaram, mas esqueceram de nela incluir verbas orçamentárias para esta nova corte de sinecuristas (por sinal, o Google-Images nada deu de interessante em retorno a este vocábulo, que aprendi com o Prof. Manuel Marques Leite) que tomará corpo com a aprovação da lei (os vereadores, seus assessores, os chefes, subchefes e magarefes dos gabinetes, os CCs.
Em segundo lugar, ser irresponsável significa, no caso, chancelar uma distribuição da renda nacional que paga 2/3 dos rendimentos de um deputado federal ao deputado estadual, 2/3 do deputado estadual ao vereador etc. Então chegaríamos a 4/9? Claro que esta lei já caducou. E os 1/1 do depudado federal? Representam 100% do juiz do supremo tribunal. E o juiz? Ele tem seus proventos fixados pelos deputados, compreendeu?
Juiz não pode ganhar mal, pois -se ganhasse- não teria incentivos para entravar a justiça. E país com justiça é país igualitário. Pode um deputado afanar (o lunfardo justifica-se neste ambiente, uma vez que achei lá no dicionário interessantes motivos do tango) o dinheirinho da merenda escolar e seguir por anos e anos a fio como se nada houvesse feito, ganhando seus auto-estipêndios, os mesmos que atribuiu ao juiz etc.?
Terceiro: a Editora GangeS tem cansado de dizer que o problema não é o emprego público, ao contrário. O emprego público é a salvação não apenas da progressista cidade de Sapiranga, de onde, se bem lembro, afanaram as merendinhas, mas de todo o resto do planeta. Qual é o pó brema? É que o emprego público que a combativa editora pleiteia é de R$ 1.000 por mês, como renda básica de atração à Brigada Ambiental Mundial, o que gastaria -como sabemos- 40% da renda nacional se paga mensalmente a 80 milhões de brasileirinhos, inclusive Lulla, Collor, FHC, Gilmar Mendes, os Mendes de Jaguari, os Jaguaris de Mendes (MG?) e vice-versa.
Que faz um BAM Soldier? Já sabemos:
.1. gasta três horas assumindo uma postura ereta
.2. gasta três horas colocando a mente quieta
.3. gasta três horas tornando o coração tranqüilo.
Saudações bamianas
DdAB

sábado, 13 de dezembro de 2008

Martín Fierro: O Primo do Entrerriano

Querido Blog:
Esta maravilhosa figura é originária do site a que se chega com um click sobre ela. Nem a entendo 100%, menos ainda -100%. Decidira fazer uma postagem simples, ainda que enorme. Mudei para duas postagens complicadas, ainda maiores. Amanhã farei a segunda. Segunda farei a terceira, ou seja, começa a confusão. Segunda-feira não haverá a terceira postagem, claro, embora eu tenha acabado de cair em contradição.
Ok, a ilustração não era de Fontanarosa, Cimarrosa, Rosaura Lujanera, um troço destes?
Apenas os espíritos mais sequiosos pela noção de ordem é que viajam mal nos ambientes caóticos. Como sabes, amado confidente, eu também, cá de minha parte, prezo a ordem, tanto é que digo os maiores impropérios aos economistas (que chamo de evolucionários vulgares, o que também contempla símios de outros pelos) desequilibrados que vertem lágrimas de amargor ao ouvirem que andei postando lucubrações sobre o conceito de equilíbrio, de maneira elogiosa.
Um dia, o Sargento Serafim indagou a Bernardim: "por que escreves assim?" Bernardim, acossado, olhou de lado e, contrarido, devolveu com outra indagação: "por que lês assado?" Seja como for, faz-se como a face, alface come alface, sei lá, o fato concreto é que não sabemos se Martín Fierro foi morto. No conto El Fin, Jorge Luiz Borges acaba com o gaúcho.
Para postar com mais qualidade, o que farei dentro de alguns anos, preciso reler tudo e retudo. Por ora, iniciemos com o Martín Fierro propriamente, mas antes dele, iniciemos mais ainda com o Moreno. Chamou-me a atenção D.L.de.M.B para o Canto 30, que já ia alto, quando...

Moreno disse:
Si responde a esta pregunta
téngase por vencedor
(doy la derecha al mejor);
y respóndame al momento:
?Quando formó Dios el tiempo
y por que lo dividió?

Respondeu Martín Fierro:
Moreno, voy a decir
sigún mi saber alcanza:
el tiempo sólo es tardanza
de lo que está por venir;
no tuvo nunca principio
ni jamás acabará,
porque el tiempo es una rueda,
y rueda es eternidá.

Y si el hombre lo divide,
sólo lo hace, en mi sentir,
por saber lo que ha vivido
o le resta que vivir.

E segue o poema com, além destas duas, mais três estrofes, Moreno volta a falar e a trova segue mais algumas páginas. Pelo que de melhor posso entender,
Martín Fierro y los muchachos, evitando la contienda, montaron [...] y se sentaron en rueda, refiriéndo-se entre sí infinitas minudencias [...].
Por outro lado, Borges tem uma frase no conto El Fin, do livro "Ficciones", que evoca a trova sobre o tempo:
Habituado a vivir en el presente, como los animales [...]." Já disse tudo! Só têm consciência do presente-passado-e-futuro os seres racionais superiores. A consciência do tempo é tratada por ele -Borges- nas Notas (Gereald HEARD, Pain, sex and time (Cassell): "Heard opina que los animales carecen totalmente de esa [do tempo] conciencia."
Seja como for, no penúltimo parágrafo de El Fin, Borges coloca pela primeira vez no cenário o nome de Martín Fierro. Antes, pouco ou nada estava delineado desta trama:
Acaso por primera vez en su diálogo, Martín Fierro oyó el odio. Su sangre lo sintió como un acicate. Se entreveraron y el acero filoso rayó y marcó la cara del negro.
Paragrafinho curtinho. Não vou trescrever todo o último. Olha só a maldade de Borges, se é que é maldade:
Una embestida y el negro reculó, perdió pie, amagó un hachazo a la cara y se tendió en una puñalada profunda, que penetró en el vientre. Después vino otra que [o Sr. Recabarren, testemunha do duelo] no alcanzó a precisar y Fierro no se levantó. Inmóvil, el negro parecía vigilar su agonia laboriosa. Limpió el facón ensangrentado en el pasto y volvió a las casas con lentitud, sin mirar para atrás. Cumplida su tarea de justiciero, ahora era nadie. Mejor dicho era el otro: no tenía destino sobre la tierra y había matado a un hombre.
Tem muita coisa a ser explicada, a fim de que tudo isto faça sentido. A única posição que permito-me ocupar é de ceticismo: como é que pode um neguinho enfiar-se no poema de outro e matar o herói? Em segundo lugar, não é mais posição, pois -se a primeira era única- não há segunda: que será que eu tenho a ver com tudo isto?
Beijos
DdAB

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Ghoties


Querido Diário:
Quantos peixes há no aquário acima? Se me não equivoco -diria a super-próclise machadiana- há dois. Claro que contamos quatro peixes, três em meio hídrico (aparentemente), um no meio etéreo e um inserido num conjunto vazio. O tema cerca-se de controvérsias.
Seja como for, falando na língua do Camões lá deles, ou seja, Guilherme de Shakespeare, estamos vendo, no meio etéreo um fish. Como contei, ao todo, quatro peixes no conjunto universo, poderia dizer -na língua de GdS- four fishes.

Como se pronuncia a palavra acima? Se tudo isto é verdadeiro, e principalmente, se "peixe" deve ser pronunciado como "ghoti" na língua de Stratford-upon-Avon, então somos forçados a concluir que "quatro peixes" serão enunciados como "four ghoties", n'est ce pas? Pois aparentemente é verdade shawsiana. Em outras palavras, Bernard Shaw escreveu "Pigmalião", uma interessante criação do escultor grego que apaixonou-se por uma escultura de mulher de seu próprio -lá dele, o grego- cinzel. Mas Shaw não falava em escultor, pois não lhe aprazia. Falava, outrossim, em uma florista que queria ser "lady", uma "my fair lady". Shaw ironizava, pela via do Prof. Higgins, a estupidificante maravilha da língua inglesa, que não é fonética nos alfabetos convencionais, o de 26 letras, em particular, pois ele -o de 26- será incorporado à língua portuguesa, por ladrões (isto é, políticos) daqui a umas poucas semanas.
Dito isto, resta-nos concluir que -em outras plagas- Shaw (quem já conhece esta, pule para meu site, que está edificantemente modificado) teria dito que nada mais fácil do que pronunciar palavras em inglês. Exemplificou que "peixe", id est, "fish", também pode ser escrito como -você adivinhou- "ghoti". Reza um papelzinho que encontrei num pub de Cuttleslowe (Oxford, na Templar Rd., ou era outra rua, outro bairro, outra cidade, outro reino?) que a chave da pronúncia é:
f: gh, como em "enough"
i: i, como em "women"
sh: ti, como em "station".
Ou seria algo apenas ligeiramente assemelhado, contido num dos sonetos de GdS? Firmo-me atenciosamente
DdAB


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Manaus com Burbery & Asics

Querido Blog:
Vemo-lo, a ele, o Teatro de Manaus. Você sabe como obter os créditos das fotos originais, não é mesmo? E que tenho eu a ver com a capital do estado de Amazonas? Nada, além de um frasco de perfume Burbery e um par de tênis Asics-Nimbus/10. E que me faz estar no encalço deste perfumado calçado?
O teatro que o diga, confirmando o que a realidade ostenta. A Profa. Abegg para lá se dirige, a participar de uma banca de defesa de tese doutoral. Uns com tanto, outros tantos com algum, mas a maioria sem nenhum. Ou seja, ela ou tem "tanto" ou "algum", o fato é que esta é sua segunda visita ao Norte/manausiano, ao passo que eu -myself- nunca fui além de, digamos, Fortaleza, embora tenha cruzado a linha do equador um bom par de seis vezes, ou seja, entre idas e vindas, umas 20 cruzadas.
Será que para lá preciso ir, a fim de conhecer o sabor local? E se eu pudesse ampliar tudo holograficamente? E se estivesse em holograma no convés de um dos navios que acima vemos no porto citadino?

Ou se, por outro lado, eu fosse um motorista de um dos táxis que não identifico bem, mas que insofismavelmente andará por uma das vias que vemos acima? Seria o caso de doença numa pessoa da família que teria levado o zelador de um daqueles prédios a chamar-me pelo serviço de tele-táxi?
Ou teria apenas chegado a hora de eu rever o charmoso filme "Dois Amores e Uma Cabana"? E seria o caso de dizer que vivi em uma das duas cabanas acima? Muita pergunta, meu chapa, muita pergunta. Sabemos que boas respostas decorrem das boas perguntas, mas eu te pergunto, pode?
DdAB

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Egoísmo, Altruísmo e o CT II

Querido Blog:
Esta postagem, devo esclarecer, é sobre Economia Política, ainda que muitos pensem que ela é sobre psicologia social. A diferença é sutil, como ilustra a figura do ponto em comum dos dois lápis da ilustração de hoje. Clique na janela e vanela, ou melhor, clique sobre a figura e vá na origem da figura...
A sigla CT II acabo de inventá-la e quer dizer "Civilizações Tipo II".
Já postei algo nesta linha tempos atrás, recuperando o conceito de Douglas Hofsteider, se não lhe transcrevo erroneamente o sobrenome. Para ele, o universo é povoado por dois tipos de civilização: I e II. As de tipo I não conhecem o dilema dos prisioneiros, ao passo que as de tipo II, como a terráquea, atormenta-se com ele, dilema.
Estamos discutindo, neste contexto, qual a possibilidade de montarmos uma teoria da ação humana. A psicologia clássica diz que a ação é movida pela necessidade, o que me auxiliou a entender a frase que Jorge Amado (lá num dos romances de seu "Ciclo do Cacau" atribuiu a Friedrich Engels: "liberdade é o conhecimento da necessidade". Conhecer as necessidades (que são ilimitadas) e lutar por sua satisfação é o estandarte do indivíduo livre. Claro que estamos falando em teoria da ação humana, logo também falamos de indivíduos humanos. Ainda assim, não precisamos constranger-nos para buscar explicações para o comportamento dos outros animais e dos demais seres vivos.
[Como lembramos, Robert Axelrod falava em colônias de bactérias que jogavam tit-for-tat em suas interações: trata-me bem que te trato bem, trata-me mal, vais ser maltratado também]
No outro dia, falei na "Teoria do Estado de Alfa Microeconômico", não foi? Lembra como é? Digo que qualquer ação A é formada pela combinação linear entre a componente egoísta (E) e a altruísta (T):
A = aE + (1-a)T.
Isto é uma teoria? Claro que é, no sentido de que não sabemos se isto é verdade (empírica, não a verdade dos triângulos ou a dos silogismos), mas que pode servir para iluminar nossa compreensão sobre a realidade. No caso, o valor de "a" é que é o big deal. Ou seja, quando a = 0, temos a ação puramente altruísta, talvez um caso não passível de observação nas civilizações do tipo II, nem a mãe que ama seu rebento, nem o orangotango 100% monogâmico. Com a = 1, temos o egoísmo puro, o que talvez não seja observado nem no mais auto-centrado psicopata.
Nâo precisamos ser muito sabidos para entender que, num aviário de 12.000 aves, o dono as retém e alimenta em benefício próprio, por interesse de médio prazo bastante diverso do que os bichinhos declarariam, caso pudessem escrever. In due time, eles vão para a faca, o dono vai repor seus estoques, cuidar de mais ovos, transformando-os novamente em matéria-prima para a alimentação de humanos e correlatos (por exemplo, o cão doméstico que gosta de filezinho de frango).
Talvez também possamos pensar que o gato que tem a oportunidade de caçar um passarinho apenas irá abocanhá-lo quando seu "a" for unitário. Mas, para esta frase fazer sentido, precisamos reescrever toda a equação, o que não nos afasta excessivamente da Teoria do Estado de Alfa Microeconômico. No caso, poderíamos pensar que a ação felina é uma combinação linear entre os estados de fome e saciedade. Claro que gato de barriga cheia rejeita filezinhos, ao passo que o gato escaldado encara até pé-de-pato. Não poderemos, assim, afirmar que o gato é um predador o tempo inteiro. Nem o gavião, nem o leão, nem a erva daninha, nem mesmo o streptococcus mutans. Há leis interessantes apreendidas pelos etologistas que descrevem a ocupação de um território por passarinhos, sendo legítimo pensarmos que determinadas densidades demográficas (ou extensões do território) deixarão o ambiente mais belicoso do que outras. Ou seja, o predador indiscriminado morre (como também demonstrou Robert Axelrod no famoso livro "A evolução da cooperação") quando não mais tem o que predar. Daí a proposição central do livro, nomeadamente, que a cooperação pode surgir mesmo entre indivíduos egoístas.
Em outras palavras, torna-se claro que -ao pensarmos na divisão do território, da riqueza, da carne da finada gazela- estamos falando em determinada situação de equilíbrio na distribuição dos recursos escassos. Também estamos falando em concorrência entre indivíduos ou espécies inteiras. A concorrência é uma das leis fundamentais da vida, como vim a entender depois de muito meditar sobre a frase de Bertrand Russell que Stephen Hymer usou como epígrafe de seu artigo sobre Robinson Crusoé: "todo ser vivo é uma espécie de imperialista, procurando transformar a maior parte possível do meio-ambiente para seu benefício." Claro que meu benefício pode requerer que eu trate bem a vaquinha (em dezembro, as de presépio...), a fim de -in due time- passá-la na faca. E claro que meu benefício pode requerer que eu dê um pedaço de vaquinha mortinha para, digamos, a macaca amada.
Neste ambiente, cai-nos como um tijolaço nas têmporas a razão do enquadramento desta postagem no marcador "Economia Política". Se a barreira das necessidades for vencida (como pensam alguns economistas sérios), não haverá mais luta pela distribuição do excedente, acabará a própria economia política. Mas também por aqui vale a Teoria do Estado de Alfa Microeconômico: desta vez precisamos pensar em estabelecer limites para o arrojo com que poderíamos pensar que necessidades (ilimitadas) podem ser debeladas. Acho que o conceito de hierarquia de necessidades de Abraham Maslow pode ajudar-nos a entender este ponto. Talvez possamos falar que -inventando conceitos derivados dos dele- sempre haverá novas maneiras de ingesta de calorias pelos humanos, mas não é difícil admitirmos que uma sociedade interessada poderá ter programas de atender a todos, em horizontes de tempo ultra-curtos, desde que o regente de sua produção de objetos materiais não seja o capitalismo.
Mas, mesmo com esta proposição, há possibilidade de melhorá-la ao lançarmos mão da Teoria do Estado de Alfa Microeconômico: haverá uma certa componente de capitalismo que permitirá que mesmo as necessidades básicas sejam atendidas para todos. Ainda que nem todos tenham a mesma felicidade de alcançar a realização plena, por exemplo, ao contemplar meus MicroPosters. Escassez e bonança também são historicamente datados.
DdAB

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O Nada e as Estrelas

Querido Blog:
Decidi olhar o jornal antes de postar o que segue. Ontem notei que trataste meu domingo como sendo o 7/dez/2008. Quem terá sido o ambecill que assim te programou? Ok, agora começa o que segue, se é que tudo o que veio antes não seguiu o nada.
E será que haveria o conceito de nada, ou apenas este troço de Big Bang, que o Prof. Dr. César Antonio Leal, da antiga Rua Washington Luiz, 146, Gasômetro, disse-me há pouco tempo não achar ser história bem contada. De minha parte, gostei mais de Isaac Azimov e seu livro sobre astronomia, de que já falei sabe-se lá onde e quando: pode ser que tudo isto que catalogamos como tendo ocorrido depois do Big Bang seja apenas uma vesícula dentro de um desses incontáveis buracos-negros que infestam o verdadeiro universo, o quel apenas é infenso ao desaparecimento, ou seja, nada não é nada. Ou melhor, o nada não existe, nem pode existir. Mas talvez o nada tenha existido e uma tunelagem (de sabe-se que natureza e de que origem) o transformou no vetor energia-matéria-espaço-tempo-etc., tal como o universo que hoje pensamos (logo existimos) que existe. To be or not to be vale para pilhas de contingências, mas não é algo necessário, no sentido de que necessário mesmo é só o "to be", ou o ser, como disse o marido da Simone de Beauvoir, a moça bem-comportada. "Ser", como sabemos, em alemão é eigenvalue, eigenvector, um troço destes.
Olhei o jornal, nada destaquei. Decidi, assim, seguir com uma idéia de "povos astronautas", que nada deu no Google-Images. Aí fui direto a "Galactica", que é o nome da ilustração acima, e cuja fonte é -como já virou hábito- dada por meio de um click.
bjus
DdAB

domingo, 7 de dezembro de 2008

Cego Aderaldo

Querido Diário:
Eram 7h30 quando comecei a escrever. Acordei às 6h00, e fui dormir às 3h00, sono entrecortado. Terminei de escrever esta simples postagem, que é um e-mail a Sílvio dos Santos ligeiramente editada.
Houve uma festinha que a Itinha organizinha, digo, organiza, anualmente para o que ela chama de "turma de Oxford", sempre engordada por amigos que vão entrando em sua-dela vida. Claro que também sou partícipe, mais na condição de ex-residente do que de trabalhador (sou péssimo em festas, só penso em controlar-me para não encher a cara; por sorte, meu iPod, com suas 8 mil canções, resolveu meu problema de oferecer música aos convivas). Pois bem, dizia, acordei às 6h00. A única boa notícia é que daqui a pouco atiro-me numa cama e durmo tanto quanto queira. Mas já estou a um ou dois dias (faço isto com regularidade) do momento em que deverei meter uma boleta para induzir o sono. Pois bem, dizia, acordado, decidi postar um troço no blog, para livrar-me do compromisso que me atribuí: um post por dia, pelo menos, a fim de, daqui a 200 anos ter (3/4 x 200 x 365 + 1/4 x 200 x 366) postagens, tentando usar um programa de inteligência artificial, a fim de delas extrair a raiz quadrada de meu pensamento sobre (Economia Política), Vida Pessoal ou Escritos. Não lembrando mais o que escrevera acima, reli tudo e decidi postar aquilo acima e aquilo que segue no blog. Por que? Eu pretendia falar sobre um momento importantíssimo em minha vida: depois de furioso regime alimentar/dieta-mata-caloria, voltei à marca de menos de 70kg na balança, o que -para um rapaz de meu porte (i.e., 1,66kg, digo, 1,66m)- ainda é tecnicamente considerado sobre-peso (pelo Departamento de Culinária da Editora GangeS). Como sabemos, este milagre de exuberância alimentar deve-se ao palco emulherado (sic) em que vivo desde tenra infância (vou postar mais reflexões -outro dia- sobre o que é História, o que tem a ver com este troço de tenra infância): DIM (isto é, Deca, Itie e Marlize). Elas dizem que não foram elas, mas o pintor Dégas. Não posso mentir nem desmentir. Deca meteu-me uma seqüência de exercícios abdominais que me causaram tantas dores em toda a região que me cortaram o apetite em 100%, ou até mais. Itie fez um cardápio para inadimplentes alimentares (ou era inapetentes imobiliários?), executado com maestria pela Sra. Marliza. Deca, como sabemos, é minha personal sister, ou seja, a irmã que age como personal trainer do irmão gordinho. Ao mesmo tempo, entusiasmada com a proximidade de seu porvir, ela passou a freqüentar uma academia puxa-ferro, declarando-se sua personal self, ou seja, o personal trainer que presta serviços a si própria (em linguagem de matrizes, seu aij é altíssimo e fi = 0, um troço destes, sendo -lógico- aij e fi elementos da matriz de contabilidade social dela). Tudo isto implicou logicamente que ela me haja contado uma história muito interessante, o que me deixou intrigado com o futuro da humanidade (lembre que ainda falarei sobre o que é História, como já anunciei duas vezes, uma na postagem acima e outra noutra, ok?).
Via ela TV numa descomprometida tarde quando deparou-se com a mãe de um guri lá de seus seis-sete anos de idade, que disse que ele -guri- nasceu cego, mas ela fingiu que não. Com isto, passou a tratá-lo como se ele fosse normal (ou seja, desde seu primeiro dia de vida, ele foi submetido a tratamento para aprender uma língua estrangeira, tocar um instrumento musical e praticar um esporte, requisitos, como sabemos, característicos do indivíduo moderno que fez meu curso de boas-maneiras, em breve disonível em quatro volumes em meu site). Dia-vai-dia-vem, ela ia andando fagueira do lado dele e ele disse: "Tem a nossa direita, aproximadamente a 340m da ponta de meu nariz, um edifício de 14 andares." Ela disse: "Tchê, como é que tu sabe isto?". Ele disse: "Cognoscere humanum est." Ela disse: "O que?". Ele repetiu: "Cognoscere humanum est." Ela repetiu: "O que?". E assim por diante.
Resolvidas estas pendengas, conversa-vai, conversa-vem, tornou-se claro que ele, since his early birth, como diria -em seu truculento inglês- o Sr. Adalberto de Avila, começou a entender que -como nada via- precisava compensar essa deficiência com alguma outra forma de tomar contato com o meio-ambiente, além do tato (Cláudio Leonetti Carneiro?), olfato e paladar. Visão zero, audição em processo de maximização. Então ele emitia um sonzinho com a língua e capturava auditivamente o retorno daquelas ondas. Com isto, mais a língua estrangeira, o instrumento musical e o esporte, ele começou a equacionar o mundo, sob o ponto de vista da razão entre velocidade e tempo, ou seja da distância dos objetos a si.
Ok, não foi bem isto o que a Deca falou, mas meu relato não diverge em mais de 100% do original. E meti uns enroscos na novela, a fim de dificultar a leitura por programas de inteligência artificial hostis ao Império Galáctico. O guri seria um mutante? O guri seria apenas um indivíduo humano perfeitamente normal, exceto pelo probleminha superveniente à vida de Joaquin Rodrigo (não sabia ler música...) ou Jorge Luiz Borges (escrevia, mas não lia...)? Em qualquer caso, ele estaria dando sua contribuição à humanidade, expandindo-lhe a cognição. Fiquei muito impressionado com isto, pois contrastei o destino desse guri com o de milhares de brasileiros, detentores de razoáveis habilidades fornecidas por seus cinco sentidos, mas que não estudam língua estrangeira nenhuma, instrumento musical nenhum, esporte nenhum, alfabetização nenhuma, três refeições diárias nenhuma, duas escovações dentárias diárias nenhuma, penteada de cabelo ao levantar nenhuma, banhozinho antes de ir olhar TV nenhum, olhar TV nenhum, ir para a cama quando os "Cobertores Fiateci" tocam na TV aquela musiquinha nenhum, e assim por diante. Naturalmente, os políticos que tomaram a liberdade de requisitar o dinheiro que seria aplicado em merenda escolar e seus colegas que requisitaram outros recursos para outras finalidades não se surpreenderiam com meu impressionismo, pois volta-e-meia, assistem aos seminários que apresento no meio acadêmico sobre o conceito de sociedade igualitária.
Seja como for, fiquei pensando no assunto e vieram-me idéias preliminares sobre o tema:
.a. pensei no "Cego Aderaldo", de quem tomei conhecimento de algumas trovas por meio de Ary Toledo
.b. em Luiz Gonzaga (rei do baião) e a canção "Açum preto", que me veio ao conhecimento por meio de Gal Costa. E teria seguido pensando em dromedarismos assemelhados, tivesse o tempo e a habilidade para tal. O fato comprovado é que pensei nesas coisas de Richard Rorty que até hoje deixam-me intrigado ("precisamos pensar em tudo, especialmente o impensável"). E pensei que talvez este seja um tipo de possibilidade de pensarmos em tudo, desenvolvermos o campo de cognição humano. Pensei na humanidade daqui a um milhão de anos, nos 20 mil anos que nos separam dos animais de Lascaux e o que foi feito em 250 de Revolução Industrial e -mais ainda- no que será feito nos próximos 19.750. E aí parti para o exagero: pensei em 10^6 anos, indagando-me -from scratch- se ainda poderemos falar em humanidade.
Será que o guri que tem audição mais refinada do que a de um morcego ensinado é/será humano? Será que um guri refinado voará como os morcegos ou como os guris que voam de asa-delta? Ou como Peter Pan? Ou serão ogros, toscos e bizarros, como o filho de um menino de rua que vi no outro dia atrás do Supermercado Zaffari da Rua Múcio Teixeira?
Dizia eu: "teria seguido pensando" etc., e fui ao Google-Images, como sempre que preparo uma postagem durante esses 200 anos, e investiguei: "Cego Aderaldo", e achei várias fotos do cantador, mas nada mais fiz. Em seguida, busquei "açum preto" e encontrei a foto que credito como de Danilo Schinke (to the best of my knowledge) no siteI:
http://www.flickr.com/photos/daniloschinke/sets/72157603269923216/?page=6. Se sutilezas há na natureza, o bicho acima não é propriamente um açum preto. Nem, claro, o Fotógrafo Danilo Schinke o disse!
Olhei outras fotos, busca-daqui, busca-dali, fui tornando-me mais inquieto, pois aparentemente há um erro na expressão "açum", pois -ainda que a tenha observado em pilhas de entradas no Google-texto- nada há em meus dois dicionários de português (Aurelinho e Aurelião).
Como ao lado deste meu blog, temos o de Sílvio e Ana, especializados em fotografar a natureza e seus pertences, pensei diretaço em falar nele com ele, if you know what i mean, decidi que iria indagar-lhes o que é que o açum preto tem que -dizem- tem um cantar mais triste do que o do rapaz que teve o amor roubado pelo Sr. Luiz Gonzaga, um troço destes, ou vice-versa. Responderei em breve, se o fizer!
DdAB

sábado, 6 de dezembro de 2008

Reformas Democráticas

Querido Blog:
A ilustração acima (clique e veja o original que diz não saber se ela é protegida por direitos autorais; caso o seja, convido os detentores a liberá-los) veio-me aos olhos quando procurei no Google Images com a expressão "reformas democráticas" + socialismo. Como sabemos, esta expressão aprendi-a com o Prof. Gerônimo Machado, meu ex-colega da UFSC e lutador indômito pela causa da transformação social. Não li o suficiente no site de origem para saber que diabos é essa "escultura". Pensei em foice-e-martelo, mas também em alguma antena niemayeresca.
Seja como for, falar em "reformas democráticas que conduzam ao socialismo" foi pensada num ambiente diverso do que hoje prende minha compreensão das coisas-do-mundo. Ontem mesmo, praticamente consegui upload a meu Google-Docs o texto que publiquei na revista Economia /da UFSC/ a convite e que intitulei "Crenças, desejos e a luta de classes", editando notas de aula que dei nos cursos de Microeconomia que vendi para o PPGE-PUCRS entre 2005 e 2007.
Ainda no contexto do avanço que tive não apenas por lecionar "Micro" mas também ao orientar a dissertação de Eduardo Grijó, vim a recomendar que substituamos as preocupações com a luta de classes (ricardianamente vista no Bloco B12 da matriz de contabilidade social) pela luta entre instituições (stonianamente vista no Bloco B33).
Isto leva-me a pensar no despreparo dos políticos de esquerda no Brasil e seus assessores econômicos, que são incapazes de identificar exatamente quais são essas reformas. Andei falando em Raul Pont, Paulo Paim e outros. Estes são bons exemplos. Raul é um oposicionista radical, não merecendo uma avaliação séria por parte de homens de boa-vontade. Nenhum desses dois políticos profissionais de extração de esquerda consegue combater os dois grandes inimigos da política:
.a. a obrigatoriedade do voto
.b. a ausência do voto distrital.
Raul quer mancomunar-se com as instituições investidoras (empresas e governo), a fim de -via aceleração do crescimento econômico- gerar emprego. Paim quer, via legislação, aumentar a participação dos trabalhadores no produto nacional. Nenhum deles consegue entender que já chegou a época do abandono das tentativas de regulação do mercado de trabalho (claro que não nego a fiscalização de condições sanitárias, pagamento de férias remuneradas, essas coisas). Seu substituto é o mecanismo da renda básica. Mais ainda:
.a. renda básica mundial já
.b. financiada com o Imposto Tobin e fração da renda de todos os países
.c. banco central mundial já
.c. Brigada Ambiental Mundial já!
O grande problema da própria Gestão Raul Pont na Prefeitura de Porto Alegre, como de resto na de seus antecessores -prefeitura, governo estadual, gabinetes de deputados etc.- é que houve completo aparelhamento do partido, seus membros individuais tornando-se beneficiários do mesmo estilo de administração pública que levou ao descalabro social brasileiro. Que deviam eles ter feito, agora tornando-se claro para mim? Cada repartição pública (e gabinete de vereador, deputado, e por aí vai) deveria ter um Observatório Comunitário, voltando-se ao planejamento (orçamento participativo) e fiscalização (prévia à de tribunais de contas convencionais).
Saudações revolucionárias
DdAB
p.s.: e o empresariado, que não aposta das virtudes do igualitarismo para promover o crescimento, atendo-se a uma visão de curto-prazo, em que -é possível, apenas possível, não é certo- mais concentração gera mais investimento.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Gravidez Masculina

Amado:
Esqueci de dizer: este negócio que a Câmara dos Deputados (da qual, felizmente, vemos a ausência do Senador Paim) aprovou (a gravidez masculina) é um, por assim dizer, aborto da natureza. Não teria sido mais natural aprovarem simplesmente a descriminalização do aborto feminino? E, mais que isto, não seria o caso de eles lerem a postagem anterior e passarem a entender que uma coisa é emprego e outra coisa bem diferente é produto que, como acabamos de demonstrar, não é renda. Por que não dar um dinheirinho para o rapaz grávido enquanto ausente da população economicamente ativa e parar de encher o saco do mercado de trabalho? O Dr. Mauro Amatto e outros finados defensores do caminho estúpido anuiriam. Mas a visão deles seria, lógico, abaixo o auxílo gravidez masculina e abaixo também as transferências. "Deixa o mercado regular tudo, inclusive a transformação da honra em mercadoria." E essas coisas de orçamento público, conceito de sociedade justa -aditariam- ficariam a cargo dos acadêmicos, ainda que os políticos não lhes assistam às aulas.
Pode esse troço de "assistir-lhes às aulas", Senador? Pode, Matemático?
DdAB

Fator Previdenciário

Querido Mr. BloggerMan:
Queridinho da classe trabalhadora ou sócio (bem-remunerado) do Clube da Baixaria? Vemos na foto o Senador Paulo Paim.
Nem todos os senadores (que gazetearam as aulas de Teoria da Escolha Pública, Direito Constitucional, essas coisas) saberão dizer par coeur o conceito de valor adicionado. Eu, que sou especialista no primeiro semestre do curso de formação de cidadãos, digo. Valor adicionado é um importante conceito para a compreensão de um sem-número de aspectos do funcionamento do sistema econômico. Principalmente, com ele, podemos avaliar o grau de eficiência com que os recursos (sociais) são utilizados, segundo uns. Segundo outros, com ele, qualificamo-nos para entender o modo de funcionamento e reprodução da vida econômica societária. Entre os assessores econômicos de todos os cargos em comissão da república, encontram-se muitos idiotas que desconhecem que o valor adicionado tem três óticas de cálculo. Ou seja, a sociedade (eu disse 'a sociedade', nada disse sobre o Dr. Antonio ou o Ascensorista Ermílio) gera valor adicionado uma única vez, mas contabiliza seu esforço de três maneiras.
E não devemos impressionar-nos com um conceito que permute sua mensuração de três maneiras, pois estamos habituados a saber, por exemplo, que a distância que separa nosso orçamento doméstico daquele retido pelo Sen. Paulo é a mesma, quer a mensuremos daqui para lá quer o façamos de cá para lá. Se eu ganho R$ 100 (como é razoável supormos) e ele ganha R$ 1.000.000, como presumo, há um vão de R$ 990.000 nos separando: ele ganha mais e eu ganho menos. Diríamos, claro, que o desnível social entre os polítcos e seus eleitores tem duas óticas de cálculo: a positiva-P0 (eles ganham mais) e a negativa-Ne (nós ganhamos menos). Claro que Po=Ne.
Li numa revista BatMan (ou em alguma outra fonte igualmente idônea) que as três óticas de cálculo do valor adicionado são Produto-P, renda-Y e despesa-D. Neste caso, P=Y=D. Now it begins, como teria dito John Lennon. O dinheiro que os aposentados recebem dos políticos por meio de transferências de dinheirinho retirado pelo governo na forma de tributos (ou sabe-se lá que outra forma, perfeitamente possível) à renda não é renda. Repito: transferência não é renda, entendeu? Transferência não é renda! Compreendeu, assessor? Aposentado não ganha renda, pois não há mecanismo de correspondência entre o produto e esta. Em compensação, aposentado pode gastar em "despesa", ou seja, Consumo das Famílias. Seria pueril pensarmos que aposentado pode também gastar em Investimento, Consumo do Governo (que obviamente não inclui as transferências!) ou Exportações. Quem investe é a Instituição Empresas, quem exerce o Consumo do Governo não são nem empresas nem famílias (responsáveis pelo Consumo das Famílias). Quem exporta são os Produtores! Disse o Menino Prodígio (no número citado da revistinha BatMan) que quem investe não são os Produtores, mas as Instituições Empresas, o que deixou o assessor ainda mais intrigado, alegando que fácil mesmo é a leitura de Bolinha, pois este tipo de coisa não exibiria o mesmo grau de interesse do que o que lhe despertam as aventuras do Detetive Aranha.
Então aposentado não ganha renda? Por isto deveríamos deixá-los morrerem à míngua, como parece que o pessoal que trabalhou no filme japonês "A Montanha Mágica" deixava seus ancestrais mano-a-mano com as onças, tamanduás etc.? Claro que não: quem mata fome é a Despesa, e para incidir em despesas o de que se necessita é de receita (entendeu bem? receita!) e não de renda, a menos que entendamos (e devemos fazê-lo) que a renda também faz parte da receita. Mas, claro, a recíproca não é verdadeira, como acabamos de deduzir, ajudados pela invocação do Detetive Aranha, um ás no modelo conjetural de Carlo Ginzburg.
Segue-se logicamente que o Senador Paulo Paim é mesmo sócio do clube a que acima fiz menção, porque ele quer indexar as transferências aos aposentados, pensando que isto os estaria beneficiando, quando os beneficiários são, claro, os políticos que colhem votos por todos os territórios, não havendo (nem o quereriam, pois não são altruístas o suficiente) voto distrital. Ser o representante parlamentar dos aposentados (ou dos torneiros mecânicos, ou policiais, ou o que lá seja) é a maior baixaria com que o sistema político brasileiro brinda seus reféns (os eleitores que, se não votarem, tornam-se criminosos).
A provisão para pagamento de aposentados deve ser uma disposição da Lei do Orçamento. Lá é que o casuísta senador deveria enfiar suas energias! Mas ele estudou na Faculdade de Formação de Políticos? Ganhou pelo menos um conceito C na disciplina de Direito Constitucional? Outro na de Teoria da Escolha Pública? Já que estamos no assunto, saberá ele colocar pronomes? A tabuada do oito? A conjugação do verbo prevaricar?
A única esperança que me resta é que algum matemático tente decifrar o texto acima, que meta um comentário no local competente e permita-me esclarecer a opinião pública sobre qualquer ponto, digamos, obscuro que por desventura esteja insidiosamente retido neste edificante post.
Abraços do
DdAB